Por Elis Verri
Os chatos do jornalismo, os hiperativos dos publicitários e os designers blasés. É apenas uma brincadeira interna entre os alunos do curso de Comunicação Social que não passa de uma cisma pelos corredores da faculdade, como uma rixa entre primos – e é bem como isso que os três cursos são: apesar de focos diferentes, são como parentes próximos, ligados por vários vínculos, influenciando-se entre si.
Mas se esse desencontro entre os alunos, ainda que de início, exista, a última edição da Revista Unifieo mostra exatamente o quanto essas áreas andam em conjunto. Afinal, são todos comunicadores com, consequentemente, interesses em comum. Onde termina o trabalho de uma área, começa o de outra, e ainda uma terceira insere-se no processo de comunicação – que torna-se artístico, ideológico e formador de opinião.
Ora, uma marca pode ser traduzida por um desenho, o marketing muda conforme as tendências sociais mudam, as informações não param de ser transmitidas e retransmitidas. Isso sem falar no que as tecnologias atuais são capazes de prover ao meio midiático. As produções desses setores não param e se encontram a todo o momento e, se o objetivo macro é comunicar de forma eficaz, é preciso que os profissionais estejam preparados para agirem com responsabilidade.
Portanto, a criação e veiculação de qualquer produto devem ter bases. Por isso, a Série de Comunicação Social tem uma palavra chave: repertório. A revista, composta por conteúdo dos próprios professores da Unifieo, além de tratar de temas contemporâneos e diretamente ligados aos cursos, trabalham com outras ciências humanas, como literatura, sociologia e história, a fins de complementar os estudos e ampliar os conhecimentos.
É perceptível, nos doze trabalhos (dos Hércules da nossa faculdade), um olhar sensível às coisas e às condições humanas, que possibilitam ampliar a concepção de mundo, justamente por servirem de um estopim para que os leitores possam se interessar pelas temáticas. São textos curtos, o que permite acessibilidade na leitura, que torna-se mais agradável e sem carregar os jargões dos textos acadêmicos.
O comportamento dos consumidores (de bens e de informações), análises de obras, contextualizações históricas e políticas, como o fantasma da censura, fazem parte dos temas selecionados. Mas também há espaço para temas alternativos, como análises da literatura popular brasileira e a música na cibercultura.
Em suma: a edição prestigia o trabalho dos professores da Unifieo, e é de grande relevância para os alunos. Uma alternativa para quem busca ampliar os conhecimentos e para despertar a curiosidade acerca de temas próximos de nós (mas que, e ao mesmo tempo, por serem tão minuciosos acabam passando despercebido), além, é claro, de aproximar os primos briguentos do Curso de Comunicação, já que fica esclarecido o quanto trabalham em conjunto em prol de um bem maior.

